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PCC - Primeiro Comando da Capital

Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma organização criminosa paulistana, criada com o objetivo manifesto de defender os direitos de cidadãos encarcerados no país. Surgiu no início da década de 1990 no Centro de Reabilitação Penitenciária de Taubaté, local que acolhia prisioneiros transferidos por serem considerados de alta periculosidade pelas autoridades.

Especial - 18/06/2010 02:01


Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma organização criminosa paulistana, criada com o objetivo manifesto de defender os direitos de cidadãos encarcerados no país. Surgiu no início da década de 1990 no Centro de Reabilitação Penitenciária de Taubaté, local que acolhia prisioneiros transferidos por serem considerados de alta periculosidade pelas autoridades.

A organização também é identificada pelos números 15.3.3; a letra "P" era a 15ª letra do alfabeto português e a letra "C" é a terceira.

Hoje a organização é comandada por presos e foragidos principalmente no estado de São Paulo. Vários ex-líderes estão presos (como o criminoso Marcos Willians Herbas Camacho, vulgo Marcola, que atualmente cumpre sentença de 44 anos, principalmente por assalto a bancos, no presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau II e ainda tem respeito e poder na facção).

O PCC conta com vários integrantes, que financiam ações ilegais em São Paulo e em outros estados do país.

PCC foi fundado em 31 de agosto de 1993 por oito presidiários, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté (130 quilômetros da cidade de São Paulo), chamada de "Piranhão", até então a prisão mais segura do estado de São Paulo.Durante uma partida de futebol, quando alguns detentos brigaram e como forma de escapar da punição - pois várias pessoas haviam morrido - resolveram iniciar um pacto de confiança.

Era constituído por Misael Aparecido da Silva, vulgo "Misa", Wander Eduardo Ferreira, vulgo "Eduardo Gordo", António Carlos Roberto da Paixão, vulgo "Paixão", Isaías Moreira do Nascimento, vulgo "Isaías", Ademar dos Santos, vulgo "Dafé", António Carlos dos Santos, vulgo "Bicho Feio", César Augusto Roris da Silva, vulgo "Cesinha", e José Márcio Felício, vulgo "Geleião".

O PCC, que foi também chamado no início como Partido do Crime, afirmava que pretendia "combater a opressão dentro do sistema prisional paulista" e "vingar a morte dos cento e onze presos", em 2 de outubro de 1992, no "massacre do Carandiru", quando a Polícia Militar matou presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo.

O grupo usava o símbolo chinês do equilíbrio yin-yang em preto e branco, considerando que era "uma maneira de equilibrar o bem e o mal com sabedoria".

Em fevereiro de 2001, Sombra tornou-se o líder mais expressivo da organização ao coordenar, por telefone celular, rebeliões simultâneas em 29 presídios paulistas, que se saldaram em dezesseis presos mortos.

Idemir Carlos Ambrósio, o "Sombra", também chamado de "pai", foi espancado até a morte no Piranhão cinco meses depois por cinco membros da facção numa luta interna pelo comando geral do PCC.

O PCC começou então a ser liderado por "Geleião" e "Cesinha", responsáveis pela aliança do grupo com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro.

"Geleião" e "Cesinha" passaram a coordenar atentados violentos contra prédios públicos, a partir do Complexo Penitenciário de Bangu, onde se encontravam detidos.

Considerados "radicais" por uma outra corrente do PCC, mais "moderada", Geleião e Cesinha usavam atentados para intimidar as autoridades do sistema prisional e foram depostos da liderança em Novembro de 2002, quando o grupo foi assumido por Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola".

Além de depostos, foram jurados de morte sob a alegação de terem feito denúncias à polícia e criaram o Terceiro Comando da Capital (TCC). Cesinha foi assassinado em presídio de Avaré, São Paulo.

Sob a liderança de Marcola, também conhecido como Playboy, atualmente detido por assalto a bancos, o PCC teria participado no assassinato, em Março de 2003, do juiz-corregedor António José Machado Dias, o "Machadinho", que dirigia o Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, hoje a prisão mais rígida do Brasil e para onde os membros do PCC temem ser transferidos. A facção tinha recentemente apresentado como uma das suas principais metas promover uma rebelião de forma a "desmoralizar" o governo e destruir o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), onde os detidos passam vinte e três horas confinados às celas, sem acesso a jornais, revistas, rádios ou televisão.

Com o objetivo de conseguir dinheiro para financiar o grupo, os membros do PCC exigem que os "irmãos" (os sócios) paguem uma taxa mensal de cinquenta reais, se estiverem detidos, e de quinhentos reais, se estiverem em liberdade. O dinheiro é usado para comprar armas e drogas, além de financiar acções de resgate de presos ligados ao grupo.

Para se tornar membro do PCC, o criminoso precisa ser, apresentado por um outro que já faça parte da organização e ser "batizado" tendo como padrinho 3 "irmãos", um "irmão" só pode batizar outro membro 120 dias após ele ter sido batizado e o novo "irmão" tem de cumprir um estatuto de dezesseis itens, redigido pelos fundadores e atualizado pelo Marcos Camacho.

Diante do enfraquecimento do Comando Vermelho do Rio de Janeiro, que tem perdido vários pontos de venda de droga no Rio, o PCC aproveitou para ganhar campo comercialmente e chegar à atual posição de maior facção criminosa do país, com ramificações em presídios de vários estados do Brasil como Mato Grosso do Sul, Paraná, Bahia, Minas Gerais e outros mais.

- Estatuto

O estatuto do Primeiro Comando da Capital foi divulgado em jornais brasileiros no ano de 2001. É uma lista de princípios da organização. O item 7 do documento prevê que os membros "estruturados" e livres devem contribuir com os demais membros presos sob a pena de "serem condenados à morte, sem perdão".

1. Lealdade, respeito, e solidariedade acima de tudo ao Partido

2. A Luta pela liberdade, justiça e paz

3. A união da Luta contra as injustiças e a opressão dentro das prisões

4. A contribuição daqueles que estão em Liberdade com os irmãos dentro da prisão através de advogados, dinheiro, ajuda aos familiares e ação de resgate

5. O respeito e a solidariedade a todos os membros do Partido, para que não haja conflitos internos, porque aquele que causar conflito interno dentro do Partido, tentando dividir a irmandade será excluído e repudiado do Partido.

6. Jamais usar o Partido para resolver conflitos pessoais, contra pessoas de fora. Porque o ideal do Partido está acima de conflitos pessoais. Mas o Partido estará sempre Leal e solidário à todos os seus integrantes para que não venham a sofrerem nenhuma desigualdade ou injustiça em conflitos externos.

7. Aquele que estiver em Liberdade "bem estruturado" mas esquecer de contribuir com os irmãos que estão na cadeia, serão condenados à morte sem perdão

8. Os integrantes do Partido tem que dar bom exemplo à serem seguidos e por isso o Partido não admite que haja assalto, estupro e extorsão dentro do Sistema.

9. O partido não admite mentiras, traição, inveja, cobiça, calúnia, egoísmo, interesse pessoal, mas sim: a verdade, a fidelidade, a hombridade, solidariedade e o interesse como ao Bem de todos, porque somos um por todos e todos por um.

10. Todo integrante tem que respeitar a ordem e a disciplina do Partido. Cada um vai receber de acôrdo com aquilo que fez por merecer. A opinião de Todos será ouvida e respeitada, mas a decisão final será dos fundadores do Partido.

11. O Primeiro Comando da Capital PCC fundado no ano de 1993, numa luta descomunal e incansável contra a opressão e as injustiças do Campo de concentração "anexo" à Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, tem como tema absoluto a "Liberdade, a Justiça e Paz".

12. O partido não admite rivalidades internas, disputa do poder na Liderança do Comando, pois cada integrante do Comando sabe a função que lhe compete de acordo com sua capacidade para exercê-la.

13. Temos que permanecer unidos e organizados para evitarmos que ocorra novamente um massacre semelhante ou pior ao ocorrido na Casa de Detenção em 02 de outubro de 1992, onde 11 presos foram covardemente assassinados, massacre este que jamais será esquecido na consciência da sociedade brasileira. Porque nós do Comando vamos mudar a prática carcerária, desumana, cheia de injustiças, opressão, torturas, massacres nas prisões.

14. A prioridade do Comando no montante é pressionar o Governador do Estado à desativar aquele Campo de Concentração " anexo" à Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, de onde surgiu a semente e as raízes do comando, no meio de tantas lutas inglórias e a tantos sofrimentos atrozes.

15. Partindo do Comando Central da Capital do KG do Estado, as diretrizes de ações organizadas simultâneas em todos os estabelecimentos penais do Estado, numa guerra sem trégua, sem fronteira, até a vitória final.

16. O importante de tudo é que ninguém nos deterá nesta luta porque a semente do Comando se espalhou por todos os Sistemas Penitenciários do estado e conseguimos nos estruturar também do lado de fora, com muitos sacrifícios e muitas perdas irreparáveis, mas nos consolidamos à nível estadual e à médio e longo prazo nos consolidaremos à nível nacional. Em coligação com o Comando Vermelho - CV e PCC iremos revolucionar o país dentro das prisões e nosso braço armado será o Terror "dos Poderosos" opressores e tiranos que usam o Anexo de Taubaté e o Bangú I do Rio de Janeiro como instrumento de vingança da sociedade na fabricação de monstros.

Conhecemos nossa força e a força de nossos inimigos Poderosos, mas estamos preparados, unidos e um povo unido jamais será vencido.

LIBERDADE! JUSTIÇA! E PAZ!

O Quartel General do PCC, Primeiro Comando da Capital, em coligação com Comando Vermelho CV

UNIDOS VENCEREMOS

- Movimentos

Em 2001, ocorreu em todo o estado de São Paulo a maior rebelião generalizada de presos da história do Brasil até então, através do uso de telefones celulares presos se organizaram e promoveram a rebelião. Vários presídios daquele estado, inclusive os do interior se rebelaram.

Anos depois, entre os dias 21 e 28 de março de 2006, diversas unidades prisionais do estado de São Paulo foram tomadas por revolta de seus internos, inaugurando uma série de atos de violência organizada no país.

Os centros de detenção provisória (CDP) de Mauá, Mogi das Cruzes, Franco da Rocha, Caiuá e Iperó, foram os primeiros a serem tomados pelas rebeliões (21 de março de 2006). Durante aquele período, outras unidades também foram palco de rebeliões (Cadeia Pública de Jundiaí - 22 de março de 2006, e os "CDP" de Diadema, Taubaté, Pinheiros e Osasco - 27 de março de 2006).

Como reivindicações apresentadas, reclamavam os amotinados da superpopulação carcerária, buscando transferência de presos com condenações definitivas para penitenciárias, bem como o aumento no número de visitantes e a modificação da cor dos seus uniformes. Estavam descontentes com a cor amarela e postulavam o retorno para a cor bege de seus uniformes.

As rebeliões, algumas com reféns, foram contidas, mas os danos provocados nas unidades comprometeram gravemente a normal utilização.

Os ataques do Primeiro Comando da Capital continuaram acontecendo com certa constância, em meio a uma onda de violência e diversos outros atos (nem todos comprovadamente originados da organização) no ano de 2006, nas primeiras horas do dia 13 de agosto, aproximadamente a meia noite e meia, um vídeo enviado para a Rede Globo de televisão, gravado em um DVD, foi transmitido, no plantão da emissora, para todo o Brasil. Dois funcionários, o técnico Alexandre Coelho Calado e o repórter Guilherme Portanova, haviam sido sequestrados na manhã do dia anterior. Alexandre foi solto, encarregado de entregar o DVD para a Rede Globo. Colocada sob chantagem, a emissora transmitiu o vídeo, com teor de manifesto, após se aconselhar com especialistas e representantes de órgãos internacionais. O repórter Guilherme Portanova foi solto 40 horas após a divulgação do vídeo, à 0h30 do dia 14 de agosto, numa rua do bairro do Morumbi.

A mensagem, lida supostamente por um integrante do PCC, fazia críticas ao sistema penitenciário, pedindo revisão de penas, melhoria nas condições carcerárias, e posicionando-se contra o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Alguns trechos foram plagiados de um parecer do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária de 14 de abril de 2003

- Referências

O alfabeto português foi modificado: com o advento do Acordo Ortográfico de 1990, o alfabeto passou a ter 26 letras, com o acréscimo de K, W e Y e o P passou a ser a 16ª letra.

Carta atribuída ao PCC encontrada e publicada no mes de agosto de 2006

O Primeiro Comando da Capital, PCC, 1533 em poder desta vem esclarecer o verdadeiro motivo de toda esta luta travada c/ o governo nestes ultimos dias o que na verdade é o dever dos orgãos de Imprensa que o contrário disto escondem a verdade, e veiculam as noticias de acordo com seus interesses e principalmente do governo. Esclarecemos que o PCC é contra toda e qualquer forma de opressão que pelo forte é aplicada ao mais fraco. Antes do combate usamos de dialogo, a violencia que se vê é fruto da violência que usam contra o fraco e o povo da periferia, pois já é sabido de todos que quem bate para ensinar também está ensinando a bater, não somos contra o governos, somos contra as injustiças, abuso de Poder, maus tratos, espancamentos e violencia encima de classe pobre deste País. Abusar de nossa posição social ser vistos como uma Organização Criminosa. Nós nao aceitamos em nosso convivio estupros, assaltos, extorsão, injustiças, homossexualismo, cobiça, e calúnia, buscamos entre nós o máximo de respeito e solidariedade, dividindo um pouco de tudo que temos entre material e carinho humano com Projetos Sociais. Nossa verdadeira luta é pela dignidade humana, sem discriminação, não visamos nenhum tipo de lucro material. É esta a luta e por ela nos sacrificamos sem pedir reforços. O Sistema não respeita as leis e a Constituinte é pura piada que os pobres nem sabe o que é, tudo isso incomoda o governo que nos jogam as traças e hoje aos olhos do povo fazem barbaridade usando os agentes e sua cúpula como instrumento de tortura e vingança. Nós os reféns do sistema não temos poder algum, sem escudo, sem trabalho, sem cursos, sem lazer e pior somos tratados como animais e ainda assim lutamos pela nossa melhoria. O que queremos? PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE, e isso só vai acontecer quando o governo também quizér parar com essa hipocrisia e cumprir a lei, obrigado pela atenção.

Ass. P. C. C.

OBS: O esclarecimentos que queremos dar para a sociedade é este.

Cresce ação do PCC no exterior, dizem EUA, Governo diz que crime financeiro é combatido...

Fonte: Folha de S.Paulo

As organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, aumentaram sua presença internacional, atuando em países como Bolívia, Paraguai e, "possivelmente", Portugal. A afirmação é do relatório anual do Departamento de Estado dos EUA que traça um painel da situação das drogas no mundo.

Segundo o texto, divulgado na sexta, crescem também as ligações do PCC e do CV com traficantes colombianos e mexicanos. A renda da colaboração no exterior os ajudaria a comprar armas e a manter o controle de favelas em cidades como Rio e São Paulo. A conclusão vem a público num momento em que Portugal especula sobre a presença de dois supostos membros do PCC no país e a criação de uma facção local.

O relatório, que refere-se a 2008, é elaborado por ordem do Congresso dos EUA e foi feito ainda sob o governo do republicano George W. Bush. Autoridades brasileiras que investigam a internacionalização do PCC são céticas sobre a presença dos criminosos em Portugal. O texto cita a imprensa portuguesa sobre o surgimento do que batizaram de "PCP (Primeiro Comando de Portugal)" -seria formado por imigrantes brasileiros e atuaria principalmente na Margem Sul do Tejo, na Grande Lisboa. Os jornais "Diário de Notícias" e "Correio da Manhã" citam fontes policiais para apontar a ligação de dois brasileiros ao "PCP".

Um seria Edivaldo Rodrigues, preso em 2008, acusado de ter matado um ourives em Setúbal, ao sul de Lisboa. O outro seria o foragido Moisés Teixeira da Silva, que segundo a Polícia Federal brasileira participou do furto de R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza, em 2005. Autoridades portuguesas não comentam a existência do "PCP" nem a ligação dos suspeitos. No relatório da chancelaria norte-americana, Portugal é apontado como o porto de entrada para a Europa da cocaína traficada de países andinos via Brasil e Venezuela, com primeira escala em países do oeste da África.

O texto diz que a droga produzida na Bolívia entra pelo Brasil via Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e por Guaíra, no Paraná. "A cidade se tornou um dos principais pontos de entrada de armas, munição e drogas do Brasil", afirma o Departamento de Estado, que cita investigação do Congresso brasileiro para dizer que o PCC "conduz abertamente a venda de armas naquela área". O relatório usa tanto dados da inteligência dos EUA quanto dos países citados. Segundo o juiz federal de Campo Grande (MS) Odilon Oliveira, o PCC também faz esconderijos, compra armas e busca drogas no Paraguai.

"Há muitos [do PCC] atuando no território paraguaio, cumprindo obrigações à facção, como sequestros e homicídios. Outros são encarregados de buscar cocaína na Bolívia." A atuação do PCC na fronteira não se dá apenas por meio de emissários, diz o delegado da PF em Barra do Garças (540 km de Cuiabá), Éder Magalhães. Responsável por investigação que resultou na prisão de 41 pessoas, ele diz que os criminosos compraram ou arrendaram pelo menos 14 fazendas em Mato Grosso e duas em Mato Grosso do Sul, a maioria para receber e distribuir drogas.

- Cenário brasileiro

Sobre o Brasil em geral, o texto afirma que o país é um dos 20 principais produtores e corredores de drogas do mundo e um dos 60 considerados os maiores lavadores de dinheiro (EUA e Reino Unido incluídos). Afirma ainda que é o segundo maior consumidor de cocaína, atrás apenas dos EUA.

Apesar de protestos dos governos do Brasil, Argentina e Paraguai, a chancelaria continua acreditando que a região da Tríplice Fronteira é fonte de financiamento para terroristas -os nomes dos grupos radicais Hezbollah e Hamas são mencionados como beneficiados. A Galeria Pagé e a Casa Hamze, em Ciudad del Este, seriam "usadas para gerar ou movimentar fundos terroristas".

Colaborou RODRIGO VARGAS , da Agência Folha, em Cuiabá

Governo diz que crime financeiro é combatido

É infundada a noção de que o Brasil é um dos campeões mundiais em lavagem de dinheiro oriundo do tráfico, como diz o relatório do Departamento de Estado dos EUA. A avaliação é do secretário do Ministério da Justiça, Romeu Tuma Jr.

"As Nações Unidas dizem que o Brasil é um país modelo no combate à lavagem. Já dei conferência para representantes de 140 países", diz Tuma Jr.

No último final de semana, segundo ele, o ministério foi convidado para montar um laboratório sobre lavagem na China.

O ministério tem três órgãos que atuam no combate à lavagem de dinheiro: o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o laboratório de combate à lavagem e o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional).

O Coaf é a unidade de inteligência do governo que busca indícios de dinheiro ilícito ingressando no mercado ou nos bancos. O laboratório é uma escola sobre lavagem destinada a policiais, promotores e juízes. Já o DRCI cuida da recuperação de valores ilícitos que saíram do Brasil.

O coração desse sistema é o Coaf. A lei brasileira antilavagem determina que bancos, imobiliárias, agências de venda de veículos e galerias de arte comuniquem ao órgão toda movimentação suspeita.

O Coaf também analisa as movimentações bancárias em busca de negócios suspeitos. Foi com a ajuda do órgão que o Ministério Público conseguiu identificar contas que o PCC usava para movimentar dinheiro vindo do tráfico, de sequestros e de assaltos a banco. (MCC)

Para promotor, PCC "internacional" é exagero

Para José Reinaldo Carneiro, negócios do PCC na Bolívia e no Paraguai não seriam internacionalização "porque na região não há fronteiras"

Para delegado da PF, se o PCC fosse internacional, a primeira evidência seria o uso de mulas, "e nunca encontramos uma mula do PCC", afirmou ele

MARIO CESAR CARVALHO DA REPORTAGEM LOCAL

É exagerada a ideia de que o PCC (Primeiro Comando da Capital) tornou-se uma organização com ramificações internacionais, segundo dois especialistas na organização ouvidos pela Folha -um delegado da PF e um promotor de SP.

"Se o PCC fosse uma organização internacional, a primeira evidência disso seria o uso de mulas [pessoas pagas para carregar droga para outros países] e nunca encontramos uma mula do PCC", diz o delegado Luiz Roberto Ungaretti Godoy.

O que ocorreu, segundo ele, é que o PCC já não usa mais intermediários para comprar cocaína e maconha na Bolívia e no Paraguai. "Eles agora compram diretamente do traficante nesses dois países", conta.

O que ocorreu em Portugal, segundo Godoy, é que um líder do PCC fugiu para aquele país. Mas não há, diz ele, indícios que ele tenha traficado por lá.

"Sem subestimar o PCC, dizer que o grupo virou internacional é dar a ele uma dimensão que ele não tem. É um evidente exagero", diz o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, secretário-executivo dos Gaecos (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em todo o Estado.

Para ele, incluir Paraguai e Bolívia na suposta internacionalização é um equívoco. "Não dá para chamar os negócios do PCC na Bolívia e no Paraguai de internacionalização porque nessa região não há fronteiras."

Carneiro diz que, em seus arquivos, há um único caso de tráfico internacional com participação do PCC. A investigação estendeu- se de 2006 a 2007 e resultou na prisão de um integrante da organização.

O promotor coordenou o grupo que conseguiu, no ano passado, as primeiras condenações de integrantes do PCC por lavagem de dinheiro.

A Justiça chegou a determinar o congelamento de cerca de 600 contas bancárias da organização. Por elas passaram cerca de R$ 28 milhões -média de R$ 46,7 mil em cada conta. O método era simples: os membros do PCC usavam as mulheres para abrir contas em bancos, nas quais movimentavam só valores abaixo de R$ 1.000.

GAROTINHO /RELATÓRIO ERRA AO FALAR DE EX-GOVERNADOR

Resultado da compilação de informações de embaixadas e da CIA, o relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre tráfico traz erro sobre a situação brasileira. O documento relata a prisão de um ex-governador do Rio em maio de 2008, acusado de envolvimento em corrupção. No mesmo mês, Anthony Garotinho foi denunciado pelo Ministério Público Federal, mas não preso, como diz o relatório. Garotinho nega as acusações. Procurado, ele não comentou o equívoco até a conclusão desta edição.

- Operação da PF liga PCC ao Comando Vermelho

Agência Estado

Três suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos na Operação Patente, desencadeada ontem e hoje pela Delegacia de Combate ao Trafico de Armas (Delearm) da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro. A quadrilha era integrada por traficantes do Rio, um deles do Comando Vermelho (CV).

Segundo a PF, o primeiro a ser preso foi Benedito Ramos, o Tinho, que segundo o delegado Anderson Bichara era encarregado da logística do transporte das drogas e armas entre a fronteira com o Paraguai e o Rio de Janeiro. Agentes federais o prenderam ontem à tarde quando ele desembarcou no Aeroporto do Galeão a caminho de uma reunião com outros membros da quadrilha. Hoje sua mulher, Solange Sombra, e Anderson Tibério foram presos na capital paulista.

A quadrilha era comandada pelo traficante Lenildo da Silva Rocha, o Rodrigo ou o RD da favela Vila Ideal, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que os policiais dizem pertencer ao CV. Há 10 dias em liberdade depois de cumprir pena por tráfico de drogas, ele também foi preso ontem em um restaurante de Copacabana, à espera de Tinho para uma reunião. Estavam no restaurante a advogada de RD, Eunice Fábio dos Santos, Cristiana Ferreira Maurício da Silva e Pablo Xavier.

Além de RD, outros cinco presos ajudavam a comandar a quadrilha do presídio. Todos tiveram novos mandados de prisão decretados pelo juiz Marcello Enes Figueira, da 6ª Vara Federal.

A quadrilha, segundo o delegado Enrico Zambrotti, tinha condições de trazer quinzenalmente 15 fuzis, além de pistolas, carregadores de fuzis, munição e drogas do Paraguai. As remessas eram feitas da cidade paraguaia de Capitan Bado, vizinha da brasileira Coronel Sapucaia. Há ainda três mandados de prisão a serem cumpridos, entre eles o de um paraguaio.


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